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Tony correu por uma das amplas alas do castelo, agilmente, rindo-se, divertido, enquanto brincava à apanhada... com ninguém. Quem visse o rapazinho da vila comportar-se de tão estranha forma, diria que era maluco mas os habitantes já estavam acostumados aos seus amigos invisíveis que habitavam o castelo. Apesar dos pais ainda o proibirem de ir brincar para lá.
Antony agarrou-se à maçaneta de uma das portas, parando de correr, ofegante. Mirou o corredor por onde tinha seguido e acenou a uma menina loira, com uma coroa de folhas sobre a cabeça e vestido imaculadamente branco, que também lhe sorria, esta não cansada.
- Ganhei! - Disse, vitorioso.
- Eu deixei-te ganhar - respondeu a menina, cruzando os braços sobre o peito.
- Não! Ganhei com justiça. Agora vais ter que cumprir a tua parte da aposta - disse-lhe, com um sorriso traquina na face.
A outra criança não parecia muito convencida, mas fez dois acenos e virou-lhe as costas, desaparecendo no ar, a sua silhueta levada por uma brisa inexistente que a desvaneceu.
Aquela era a sua amiga Anita. E ele era o único amigo da mesma idade que ela que a pequena possuía. Pois era a única criança que a conseguia ver.
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Mariana tentava a muito custo conduzir e analisar o mapa em simultâneo. Tinha a janela aberta, pelo que sentia a agradável brisa que vinha do exterior. Desviou os olhos do mapa por instantes e voltou a prestar atenção à estrada. Não tardou a ver uma enorme placa de madeira que dizia algo como "Bem-vindo a Arten-Wood". Afinal sempre conseguira lá chegar.
Por toda a parte eram visíveis algumas árvores de fruto. As frutas sumarentas chamaram a sua atenção, mas teria de ficar para outra altura. Dirigiu-se ao que parecia ser uma pequena mercearia. Parou o carro, saiu e inspirou o ar fresco da rua antes de se aventurar loja adentro. Olhou em volta, procurando alguém que lhe pudesse dar indicações.
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Estacionou o carro dentro da aldeia, perto de uma mercearia. Atrás de um outro carro que não parecia ser dali, de maneira nenhuma. Passou uma mão pelo cabelo; era normal que houvesse mais gente ali por causa do castelo. Não era todos os dias que surgiam propostas daquelas, de qualquer das formas. Apenas tinha de ser ele a descobrir como se ver livre daquelas assombrações. Se é que as mesmas existiam.
Saiu do carro e trancou-o, lançando a chave para o bolso. Na mercearia poderiam dizer-lhe qual o caminho para o castelo. Não devia ser muito longe dali. Ao entrar encontrou uma mulher jovem com cabelos escuros com madeixas vermelhas. Seria dali? Ou a dona do carro?
— Boa tarde. — Enfiou as mãos nos bolsos, casualmente. — Podia ajudar-me? Procuro o castelo.
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Percebeu que alguém se dirigia à sua pessoa e virou-se para ver quem era. Deparou-se com um individuo do sexo masculino que parecia ser pouco mais velho que ela. Tinha um aspecto bastante simples, mas não deixava de estar bastante apresentável.
- Boa tarde. Na verdade também procurava o castelo, o meu namorado indicou-me esta vila como sendo um bom local de repouso e aconselhou-me especificamente a ficar alojada no castelo, mas como é a primeira vez que cá venho também não lhe sei dizer onde fica.
Olhou novamente em volta, sem sair do sítio, com um ar distraído, enquanto procurava por alguém que pertencesse ali e lhes pudesse indicar o caminho para o tal castelo.
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Os seus olhos não deixaram a outra mulher até ela acabar de falar. Quando percebeu que ela não seria capaz de o ajudar, desviou-os e acenou. — Obrigada.
Vendo que ninguém surgia, bateu no balcão com os nós dos dedos. Provavelmente estava lá dentro, ou assim. Parecia uma vilazinha agradável, de facto.
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A loja não era um local muito grande, rodeado de vários caixotes onde os fregueses se poderiam servir de fruta e hortaliças. Sobre o balcão encontrava-se uma prateleira com chocolates e outros géneros de doces, que as crianças, mal viam, ficavam desejosas de ter. Por de trás de balcão, uma cortina às riscas laranjas e vermelhas, ocultava uma passagem para outro compartimento da loja, interdito ao público. A cortina abriu-se vagarosamente e uma senhora de meia idade e algures rechonchuda, sorriu aos dois estranhos que se encontravam na sua loja.
- Muito bom dia, senhores! O que é que um jovem par de namorados necessita da minha humilde loja?
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Benjamin abanou a cabeça, mas decidiu ignorar o comentário. Quanto menos explicações desse, mais rapidamente sairia dali para chegar ao castelo. Olhou para a mulher e depois para a merceeira.
— Procuramos saber o caminho para chegar ao castelo. Será que nos podia indicar qual a forma mais rápida de o alcançar?
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Vendo que o outro jovem ignorara o comentário sobre os namorados, decidiu fazer o mesmo. Porém, não conseguiu evitar deixar escapar um sorriso ao pensar em qual teria sido a reacção de Ricardo se ali estivesse. Certamente sentir-se-ia indignadíssimo com tal confusão. Apesar de tudo, manteve-se serena enquanto aguardava pela resposta, pois ansiava chegar ao castelo.
(pa quem não percebeu o Ricardo é o namorado dela xD)
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- Hum... é um local muito interessante. Dizem que é assombrado - conferenciou, num murmúrio, abanando várias vezes a cabeça. - Durante a noite, escutam-se o gritos das almas que por ele vagueiam, e um vento ergue-se, levando tudo à frente. Não sei como ainda não morreu ninguém naquele castelo terrível.
Não respondeu à pergunta do rapaz, os olhos muito abertos como se estivesse a ver um fantasma mesmo ali à sua frente.
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Ao ouvir as palavras da senhora idosa, Mariana sentiu um arrepio gélido percorrer-lhe a espinha de alto a baixo numa fracção de segundos, o que a fez reagir como se tivesse acabado de meter os dedos numa tomada, ao sentir a energia daquele arrepio dissipar-se pelo corpo como uma corrente eléctrica.
Então fora por isso que Ricardo a aconselhara especificamente a ir até Arten-Wood e pernoitar no castelo. Ricardo sabia da sua sensibilidade a presenças espíritas, mas nunca acreditara nessas histórias. Talvez estivesse a testa-la.
Após recompor-se do choque inicial perguntou à mulher:
- Desculpe, mas poderia então indicar-nos o caminho a tomar para chegar a esse tal castelo?
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O carro avançava a uma velocidade considerada elevada para uma povoação com ruas não muito largas, como aquela. Duas coisas saltavam logo à vista de quem visse o veículo: era preto, e era caro. No seu interior, por detrás dos vidros esfumados, ia Immanuel E. Milles, um homem rico e poderoso. A direcção que tomava era o castelo da cidade, no extremo Este, famoso por ser assombrado por espíritos. Immanuel ouvira falar de que o castelo seria oferecido a quem expulsasse os espíritos. Inicialmente pensara que era uma brincadeira, ambas as coisas: oferecerem o castelo, e o mesmo conter almas a vaguear no seu interior. Mandara um empregado seu averiguar pessoalmente ambas as coisas. O pobre homem voltou no dia seguinte, aterrorizado, e pedindo quase de joelhos que o patrão nunca mais o mandasse a tal lugar. Confirmou os dois factos antes de se ter retirado da presença do senhor Milles.
Immanuel estava bastante curioso com o facto do castelo ter espíritos, e estava disposto a tentar livrá-lo destes: depois disso, podia renovar o castelo, e fazer dele um resort de luxo. Mais dinheiro que entraria para os seus cofres. Então, a primeira pergunta que fizera a si mesmo fora como expulsar espíritos. Na verdade, essa era a segunda... a principal era como os encontrar.
Os pensamentos foram interrompidos quando chegou ao local. O castelo, àquela hora da tarde, não parecia muito assombrado. Na verdade, era até apelativo. Immanuel mal podia esperar para ver os interiores. No banco de trás do carro repousava uma mala preta de material inquebrável, trancada. Em breve teria de a abrir, e começar o seu trabalho.
Estacionou o carro e abriu a porta. Olhou à sua volta e inspirou o ar daquela vila, na qual nunca tinha estado, embora se situasse relativamente perto da cidade onde vivia.
«O aroma do ar não me parece muito sinistro», pensou. «Ao menos isso.»
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O caminho era tão límpido quanto o céu; obviamente que havia uma ou outra lombada, mas visto não ter preso nada no tejadilho do veículo, Nina não se preocupou. Conduzia com a brisa agradável a bater-lhe na cara, de dentro da sua grande carrinha alemã de viagem, que apesar de ter já alguns anos, parecia uma compra de fábrica. Ouvia uma música leve, inglesa, cantarolando-a enquanto seguia o mapa poisado no assento livre ao seu lado.
Foi desacelerando enquanto entrava numa vila próxima, mas não tinha intenções de parar. O castelo estava bem assinalado no mapa imprimido directamente de imagens por Satélite e não tinha necessidade de qualquer tipo de mantimentos, por agora.
Observou a vila, contente, lembrando-lhe as velhas aldeias espalhadas pela sua terra natal num belo dia de Verão.
- Mais uma aventura... espero que não tenha demasiado atrito dos outros hóspedes. - disse baixo para si mesma.
Já conduzia para fora da vila, rumo ao castelo que se avizinhava, onde depois gritou eufóricamente:
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- Sim, sim - disse a senhora de imediato, saindo de trás do balcão e avançando até à porta, esperando que ela dos seguisse. - Seguem por esta rua e viram na primeira à esquerda... não direita! E depois é sempre, sempre, sempre em frente. Não virem para nenhuma outra rua. Sempre em frente - reforçou. - Mas tenham cuidado com os espíritos, ouvi dizer que eles gostam de rilhar os ossos dos moradores...
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Mariana voltou a arrepiar-se com as palavras da idosa, mas desta vez o seu corpo não deu sinais disso.
- Muito obrigada, minha senhora. Iremos andando então. Tenha uma continuação de uma boa tarde.
Dirigiu-se calmamente até ao seu pequeno carro, (que por acaso é da cor das madeixas dela e só tem 2 lugares + uma mini bagageira btw xD) abriu a porta, pegou no mapa que deixara no assento e sentou-se no lugar do condutor com a porta aberta e as pernas voltadas para o lado de fora. Analisou o mapa uma vez mais e percorreu com o dedo a linha que ia desde a entrada da vila e que seguia a direcção que lhe tinha sido indicada. Havia de facto algo assinalado no final da estrada, não muito longe dali, mas como era despistada nem reparara que aquele símbolo poderia ser o castelo. Suspirou, rodou no assento de modo a ficar voltada para o volante e fechou a porta. Dobrou o mapa em quatro e atirou-o para o assento ao lado, onde se encontrava a sua mala de mão.
Ligou o motor, fez marcha atrás de modo a voltar à estrada que agora era de terra batida e começou a guiar em direcção ao castelo, a janela ainda aberta e o vento a revolver-lhe os cabelos.
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Nadya saltou do autocarro, virando-se para trás com um último sorriso de despedida. O motorista arrancou, deixando uma nuvem de pó no sítio onde estivera, devido ao chão de terra batida. Ao longe, a rapariga conseguia ver a aldeia para onde se dirigia.
Começou a andar calmamente, assobiando uma música acabada de inventar e observando a paisagem. Tinha ido ali parar devido a sorte, talvez. Há algumas semanas que percorria vários centros turísticos, e a certa altura ouvira falar daquele. Pelos vistos iam oferecê-lo, a quem se livrasse dos espiritos. Nadya agarrara isso como uma oportunidade, não para ficar com o castelo, mas para se divertir. Experiências novas, era apenas isso que queria. E aquela parecia bastante interessante.
Já tinha entrado na vila quando passou por uma mercearia, de onde um carro avermelhado partiu. Sabia o caminho para o castelo, a sua memória era excelente. No entanto... Não tinha fome, mas um chocolate iria sempre bem.
Passou pela mulher que estava à porta com um "bom dia" sussurrado e aproximou-se do balcão. Tirou uma barra de chocolate e pousou-a lá, virando-se para dizer: